Júpiter é o planeta mais bonito.

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Júpiter é o planeta mais bonito. O desenho do seu derredor. Calmo por fora. Na sua essência uma tempestade, vários séculos só de caos. Seu olho imortal presenciou muitas coisas com a própria tormenta. Seu chão não tem. Quase um sol quase uma lua; um deus imponente. Saturno é charmoso, mas não chega aos pés de um autêntico deus. Seus anéis mostram sua fragilidade. Há alguns dias dali eu estava. Só e fodido, como um vulcão sem larva. Depois de fazer mil ilhas, mil ilhas que agora todos cagam. Só gostaria de não fazer parte de uma cagada. A humanidade cagou demais… Cuspiu e desertou demais… Enquanto Júpiter era bonitão eu era comido pelo sol de vez em quando. Nada poderia ser tão só igual a mim na terra do nunca amém.


Quando criança pensava em ser cineasta uma estudante de uma universidade me entrevistara:

– O que quer ser quando crescer?

– Diretor de cinema, igual Spielberg.

Depois que cresci além de saber que Spielberg era um judeu idiota comum hollywoodiano, o cinema era um todo burocrático e distante como um céu fechado.

Escola, uma miscelânea de torturas, descobrimentos e fazedor de algozes em nós mesmos.


– Turma, hoje separaremos a sala entre os melhores e os piores de nota – Disse a algoz professora em voz alta e com ar contente.


Lembro que metade da sala era os piores e a outra os melhores e eu fui “convidado” a sentar na turma dos piores, coroando minha derrota já no ensino fundamental. Mais tarde tive notas melhores e não sabia porquê e nem para que tinha que ter notas melhores. No mesmo dia quando fui ao banheiro comumente e levei uma surpresa; uma porrada na cara veio do nada, quer dizer veio de um dos que continuavam na parte dos ‘notas baixa’, acho que não deveria ter saído dessa ala. E a tempestade em Júpiter continuava. Dizem por aí que assassinos são feitos em escolas, temo que sejam feitos na sociedade inteira, se matar por um trabalho que não gosta, pensar sempre em grana, acho que começa por isso.

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Antes de abandonar o ensino médio vi algumas merdas ocorrerem, um recém-chegado na turma, bonitão, tinha pela seca, louro, parecia uma mulher de cabelo curto, no futebol era ótimo, driblava todos, porém foi perseguido por esses mesmos adjetivos, até quando se é espetacular em algo é perseguido, o que o mundo quer afinal de contas? Júpiter recebera um meteoro e ficou intacto e ainda fazendo pose.

Plutão já é frio e sem vida, já foi considerado planeta anão, que vergonha, é o mais feio, apesar de seu nome significar fogo é um todo frio. Júpiter salvou a Terra mais uma vez. De longe fico olhando o céu, vejo os planetas também, as estrelas e tudo mais, somos uma maioria Plutão aqui na Terra, frios e sem vida. Cientistas dão o cu para pesquisar vida fora da Terra, enquanto estamos todos ferrados, talvez viram que estamos sem vida, viram um Plutão em cada um nós. Enquanto apanho mais uma vez no fundamental um planeta é descoberto, mais bonito do que Júpiter, hoje terá guerra nas estrelas.

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Imagens acervo da Nasa, tiradas em 1979 pela Voyager 1.

Decadência ideológica e irracionalismo: as faces da extrema direita brasileira.

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Estamos assistindo diariamente, seja nas redes sociais ou em outros veículos de comunicação de massa, e também nas ruas o surgimento de um senso comum conservador que mobiliza uma verdadeira avalanche de ataques vis destituídos de qualquer coerência argumentativa contra qualquer pauta que seja minimamente progressista, democrática ou que reconheça nas abissais desigualdades sociais do Brasil algo não natural. Qualquer manifestação contrária aos problemas advindo desta sociedade inumana que ai está é logo, tachada de comunista, mesmo que muitas dessas manifestações não questionem a ordem social vigente. 

Para G.Lukács, a decadência ideológica se instaura em uma fase histórica que sinaliza para uma profunda inflexão na orientação prático teórica da burguesia, essa perde seu caráter emancipador, adquirindo contornos de uma classe social conservadora, a inflexão burguesa do ponto de vista teórico leva à decomposição e ao abandono de conquistas teóricas decisivas, para a história humana. Tal fenômeno está condicionado pela passagem da burguesia de classe revolucionária a classe conservadora , e os elementos que marcam essa inflexão é a entrada em cena no palco da história do proletariado ao mesmo tempo em que ocorre a elevação da burguesia à condição de classe politicamente dominante. Isto se dá na conjuntura histórica situada entre o período de 1830 a 1848, período este onde o proletariado se articula como classe para si, promovendo revoluções por toda Europa, episódio que ficou conhecido como “a primavera dos povos”. Lukács acreditava que Marx havia descoberto  este processo de decadência:

A burguesia tinha conquistado o poder político na França e Inglaterra. A partir de então, a luta de classes assumiu, na teoria e na prática, formas cada vez mais explícitas e ameaçadoras. Ela fez soar o sino fúnebre da economia cientifica burguesa. Já não se tratava de saber se este ou aquele teorema era ou não verdadeiro, mas se, para o capital, ele era útil ou prejudicial, cômodo ou incômodo, subversivo ou não. No lugar da pesquisa desinteressada entrou a espadacharia mercenária, no lugar da pesquisa cientifica imparcial entrou a má consciência e a má intenção da apologética. (prefácio da segunda edição do capital)

Com a conquista do poder político pela burguesia e sua respectiva conversão em classe dominante, o grande intelectual burguês dará lugar ao “espadachim mercenário”, a teoria agora perde seu caráter cientifico e desinteressado se converte em ideologia de legitimação da ordem, em falsa consciência apta a mistificar o movimento do real, os intelectuais burgueses se colocam a serviço da manutenção da ordem. Outrora quando a burguesia precisa derrotar a nobreza ela produziu um movimento ascendente e revolucionário, este se expressou em sua concepção de mundo, a filosofia é o exemplo que tomaremos para ilustrar o que estamos falando. Carlos Nelson Coutinho descreve de forma primorosa este processo de elevação do pensamento burguês.

Na historia da filosofia burguesa, é possível discernir com relativa nitidez duas etapas principais. A primeira, que vai dos pensadores renascentistas a Hegel, caracteriza-se por um movimento progressista, ascendente, orientado no sentido da elaboração de uma racionalidade humanista e dialética. A segunda que se segue a uma radical ruptura, ocorrida por volta de 1830-1848 é assinalada por uma progressiva decadência, pelo abandono mais ou menos completo das conquistas do período anterior, algumas definitivas para a humanidade: as categorias do humanismo, do historicismo e da razão dialética. (COUTINHO,1972,p 7). 

São exemplos deste período de alvorecer do pensamento burguês o Iluminismo Francês, a nascente economia política inglesa, o idealismo alemão que tem em Hegel seu mais luminoso pensador. Já o pensamento dominante da fase da decadência tem como escopo justificar a dominação burguesa, parte significativa dos “intelectuais” burgueses se transformam em uma  vulgata apologética, e estes tem como finalidade teórica colocar o melhor de suas capacidades intelectuais a serviço da manutenção do domínio burgues, seja feito de forma direta com consciência do processo ou inconscientemente, pois, como nos diz Lukács, “não existe ideologia inocente” (LUKÁCS,1959, p. 4). Portanto a decadência ideológica vai se convertendo na expressão hegemônica da ideologia da classe dominante, e as ideias dominantes são a expressão das relações materiais dominantes, convertidas em ideias dominantes, ou seja, aqueles que detém os meios materiais de produção detém também os meios espirituais, as ideias dominantes são as ideias das classes dominantes, são as ideias do domínio burguês, se contra a nobreza e o modo de produção feudal, a burguesia se utilizava de conceitos como de razão para desmitificar o obscurantismo medieval,recuperava o sentido e a importância da história para demonstrar que a sociedade medieval poderia ser ultrapassada, se colocava no campo do humanismo contra idade cotra a centralidade teocêntrica das concepções medievais, portanto se estes conceitos foram fundamentais para a edificação da visão de mundo burguesa na sua luta contra a nobreza, a partir 1848, agora ela precisa desconstruir seu próprio arcabouço teórico, que em certa medida voltou contra ela mesma, e neste sentido paulatinamente a burguesia vai operando um abandono das conquistas teóricas do período anterior. Vejamos;

Essa liquidação de todas as tentativas anteriormente realizadas pelos mais notáveis ideólogos burgueses no sentido de compreender as verdadeiras forças motrizes da sociedade, sem temor das contradições que pudessem ser esclarecidas; essa fuga numa pseudo-história construída a bel-prazer, interpretada superficialmente, deformada em sentido subjetivista e místico, é a tendência geral da decadência ideológica. (LUKÁCS, 2010, p 53).

A decadência ideológica tem como tendência nuclear de suas posições, certo sentido subjetivista e místico, é deste substrato teórico, que irá se desenvolver o mais profundo irracionalismo, que se converterá nos momentos de crise do capital em caldo de cultura propício para a burguesia manipular as massas em seu favor, sempre que ela estiver ameaçada. Defendemos que está “tendência subjetivista e mística” é o núcleo substancial da decadência ideológica contemporânea e, é dentro desta que se gesta um tipo particular de ideologia com tendências a se tornar dominante. Seguindo o fio condutor desenvolvido por Lukács chamaremos de irracionalismo este pensamento que vai se convertendo em pensamento dominante na quadra histórica entre 1848 a 1870. A partir desta data assinalada o modo de produção capitalista altera sua lógica interna dando um salto de qualidade, é a passagem da fase do capitalismo concorrencial para o capitalismo imperialista, predomínio dos monopólios sobre a pequena empresa, fase da exportação de capitais e não mais somente da exportação de bens e serviços, fusão do capital industrial com o capital bancário, além da partilha do mundo entre as grandes potências capitalistas;

La situación cambia radicalmente desde los combates de junio del proletariado parisiense y, principalmente, desde la Comuna de París: a partir de ahora, será la ideología del proletariado, el materialismo dialéctico e histórico, el blanco de ataque cuya naturaliza essencial determinará el desarrollo ulterior del irracionalismo. […] Ambas etapas del irracionalismo enderezan sus tiros contra el más alto concepto filosófico del progreso de su tempo. Pero hay—incluso desde el punto de vista puramente filosófico—una diferencia cuantitativa entre el hecho de que el adversario sea una dialéctica idealista burguesa o la dialética materialista, la concepión del mundo del proletariado, el socialismo. (LUKÁCS.1959. p. 5)

Se num primeiro momento a burguesia se volta contra seus próprios pensadores, e sua respectiva noção de progresso, razão, humanismo e história, com o advento da Comuna de Paris 1871, primeira revolução proletária da história, (caracterizada por Marx de o assalto ao céus), o alvo da burguesia é o proletariado e sua concepção de mundo, tudo que se referir a socialismo, comunismo, passa a ser demonizado. Do período que compreende a comuna de paris 1871 e a revolução Russa 1917, o pensamento burguês, terá como tônica um profundo irracionalismo de matriz anticomunista.

No Brasil o irracionalismo decadente e anticomunista tem vida longa, a partir do levante comunista de 1935, “Intentona” a nascente burguesia e seus apologetas voltam suas baterias teóricas contra o comunismo, para ilustrar as sandices que se diziam em torno de Marx e do marxismo neste período iremos recorrer a Leandro Konder que no livro Em torno de Marx nos dá um quadro panorâmico do que foi esse anticomunismo inicial no Brasil:

Ramos de oliveira, em Aspectos sociais sob dois prismas, compara o marxismo ao catolicismo e conclui pela óbvia superioridade do segundo, uma vez que o primeiro foi elaborado por um homem ( Karl Marx ) “ absolutamente inapto para ganhar a vida” e levado à prática por outro ( Lenin ) que “não era muito dedicado ao trabalho” […] Em 1937, Prado ribeiro dedicou um livro ao problema do marxismo no Brasil intitulado Que é o comunismo : o credo russo em face da atualidade brasileira. Definindo o materialismo marxista, o autor explica : para o marxismo, o trabalho intelectual nada significa. Dde forma que cérebros privilegiados de um Goethe ou de um Gottfried Leibniz (1646-1716) valeriam menos qualquer estivador ou fabricantes de tamancos. Assim descrito o marxismo lhe parecia ridículo, cômico e imbecil. […] 

O livro de Prado Ribeiro é dos mais hostis ao marxismo: ele equipara o comunismo à rapina de Lampião (1898-1938), o cangaceiro. “Só os ignorantes e mistificadores propagam essas ideias fracassadas” […] No Brasil, o anticomunismo desempenhou papel decisivo no golpe de Estado de novembro de 1937, que criou o Estado Novo. Aproveitando o susto que a burguesia levara dois anos antes com a “Intentona” Vargas fechou o congresso e outorgou à nação uma carta constitucional modelada pela constituição fascista da Polônia e por isso apelidada de polaca. 

O que nos interessa aqui é constatar, primeiro: todo anticomunismo( pode ser que exista exceções) e destituído de coerência argumentativa, aquilo que se crítica e neste caso o marxismo, é mal conhecido, para tanto, argumentos ad hominem substituem a leitura das obras dos autores criticados, ou seja, a crítica não se dá com base no conhecimento profundo das matrizes teóricas e dos fundamentos do que se  crítica e sim, na busca de falhas do caráter dos autores, vide por exemplo, como são tratados Marx e Lenin, O primeiro como alguém casado que teve filhos com a empregada, e não respeitava a família, já Lenin é um terrorista conspirativo que não respeitava as instituições. Outro aspecto que nos interessa é que o anticomunismo foi e será utilizado pelas classes dominantes nos períodos de crise político social para preparar golpes de Estado, podemos citar aqui, para ilustrar o que estamos falando o Brasil de 1964, o Chile em 1973 e tantos outros exemplos.

Qualquer semelhança do passado com o Brasil contemporâneo de 2015 não é mera coincidência, hoje o universo simbólico com que a burguesia manipula milhares de “idiotas uteis” (expressão utilizadas pelos fanáticos da extrema direita para se referir a quem é de esquerda) das classes “merdias”, passa por: “vai para Cuba”, “esquerdopata”, “abaixo ditadura gramschista , abaixo ao marxismo cultural”. digno de piada é o diagnostico que essa turma faz das crises capitalistas para estes as causas das crises capitalistas, são produzidas pelo Estado, se as relações fossem regidas pelo livre mercado não haveria crise, que inversão monumental se é justamente o Estado que transforma a divida privada dos capitalistas em divida pública ao comprar bancos e empresas falidas, jogando nas costas dos trabalhadores o ônus da crise, e por ai vai com  “fora petralha”, “comunista bom é comunista morto”, “nazismo e comunismo é tudo igual”, “abaixo a ideologia de gêneros nas escolas” etc., é com essa miséria espiritual que o anticomunismo no Brasil vem novamente ganhando força, seria cômico se não fosse trágico. 

O lócus prioritário de disseminação deste senso comum, que a partir desta amálgama bizarra descrito acima forma a visão de mundo de milhares de jovens, e das senhoras de bem da educada classe “merdia” brasileira são as redes sociais, Humberto Eco, nos alerta que com as redes sociais, “Normalmente, eles [os imbecis] eram imediatamente calados mas agora eles têm o mesmo direito a palavra de um prêmio Nobel” e acrescenta “a TV já havia colocado o “idiota da aldeia em um patamar no qual ele se sentia superior, o drama da internet é que ela promoveu o idiota da aldeia a portador de verdade”. É neste pântano místico e irracional da internet que sicofantas como O. de Carvalho (pseudo filósofo, astrólogo de profissão  que acredita que o sol gira em torno da terra, que o Obama presidente dos Estados Unidos é socialista e que América Latina passa por uma dominação comunista dirigida pelo foro de SP), filósofos de madame como L. Pondé (esse diz que a Universidade Brasileira é toda marxista) charlatões como R. Constantino ganham ares de autoridade em matéria de economia, (e eu que achei que a Miriam Leitão era ruim), R. Azevedo vira comentador de política. É esses espadachins mercenários, imbecis nas palavras de Eco que terão enorme audiência nas redes (paramos por aqui se não o texto começará a ficar com um odor insuportável). 

É esse chorume ideológico descrito acima vai oportunisticamente se aproveitar da falência do Partido dos Trabalhadores e de sua estratégia, ( estratégia pautada na ideia de acumulo de forças ) para a partir dai  disputar corações e mentes rumo a consolidação de uma  perspectiva conservadora. Mauro iasi em artigo, disponível no Blog da Boitempo, O senso comum e conservadorismo: o PT e a desconstrução da consciência, captura bem  o momento brasileiro após 12 anos de governos petistas, que deveria produzir uma consciência social revolucionária, ou democrática como querem os petistas,  só que acontece justamente o reverso com a estratégia do [mito] do acúmulo de forças que

[…] só se sustenta renovando-se ao infinito, isto é, nunca estamos prontos, nunca há a correlação de forças favorável, nunca o nível de consciência das massas e dos trabalhadores chega à necessidade da conquista do poder. O problema é que agindo desta forma criam-se as condições para que de fato nunca estejam dadas as condições.

No entanto, a questão é ainda mais séria. Os defensores do acumulo de forças acreditam piamente que os patamares de consciência não regridem, isto é, a consciência de classe desenvolvida nos anos oitenta e noventa ficaria ali no ponto onde chegou e iria se tornando massiva em consequência do andamento positivo das ditas reformas. Nesta leitura, se ainda não temos uma consciência revolucionária, que já coloca a necessidade da conquista do poder, teríamos a generalização gradual de uma consciência em si, digamos democrática, disposta a manter o patamar das conquistas e reagir quando estes estão ameaçados. (Mauro Iais, blog da boitempo. Acesso: http://blogdaboitempo.com.br/2013/04/25/senso-comum-e-conservadorismo-o-pt-e-a-desconstrucao-da-consciencia/)

Os defensores do acúmulo ad eternum de forças não conseguem perceber as formas regressivas que a consciência vem assumindo no Brasil e, se somarmos a isso a crise do capital a crise do bloco de poder governista e a ausência de uma alternativa revolucionária organizada entre os trabalhadores, essa situação cria o cenário para a gestação do  “o ovo da serpente”, bem como joga aguá no moinho do conservadorismo, criando o espaço propicio para  os sicofantas descritos acima  aproveitam para disseminar o ódio, e este  tem como epicentro o fanatismo anticomunista, alguns ganham muito bem para prestar esse desserviço,caso sintomático deste fanatismo anticomunista é o “Projeto Escola sem Partido” com o intuito de questionar a ideologia nas escolas, (ideologia termo segundo eles associado às esquerdas, o que a direita faz é ciência, mesmo ela acreditando em O. de Carvalho, que por si só já é uma aberração), pois, pressupõem uma neutralidade que não existe no conhecimento. Querem silenciar e prender profissionais da educação, segundo essa gente cadavérica saída das catacumbas do obscurantismo; a educação brasileira está contaminada por professores que fazem “assédio ideológico” nas escolas, Paulo Freire e Gramsci são as vítimas desta gente e  o marxismo para essa gente é uma espécie de corruptor moral, que disseminaria nas crianças todo tipo de perversão moral, destruindo a família. Projetos absurdos como esse que vem ganhando visibilidade e apoio na sociedade, com essas demagógicas acusações que os defensores da moral e dos bons costumes querem salvar a sociedade.

Por fim, podemos concluir que a mistura explosiva de Irracionalismo, decadência ideológica combinadas com o apodrecimento das organizações de esquerda que outrora lutavam com os trabalhadores defendendo seus interesses históricos e agora que agora fazem justamente o contrário, combinado com o que descrevemos acima, criam o cenário ideal para a extrema direita mostrar sua face e seus objetivos que não é outro senão oportunisticamente aproveitar desta situação para propagandear a emersão do fascismo no Brasil, pois, como diria Brecht: “o fascismo é uma cadela que está sempre no cio”.


Texto de Warlen Nunes. Militante do PCB e da UJC!


Referências Bibliográficas 

COUTINHO, Carlos, Nelson. O Estruturalismo e a Miséria da razão. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1978.

IASI, Mauro O senso comum e conservadorismo : o PT e a desconstrução da consciência, disponível em Blog da Boitempo. Coluna Mauro Iasi.

KONDER, Leandro. Em torno de Marx, São Paulo: Boitempo, 2010. Marxismo e literatura.

LUKÁCS, Gyorgy. Marx e o problema da decadência ideológica da burguesia. In

LUKÁCS, G. Marxismo e literatura. São Paulo: Expressão Popular, 2010.

LUKÁCS, Gyorg. El assalto a la razon. México/Buenos Aires: fondo de cultura económica, 1959.

MARX, Karl, prefácio a segunda edição do capital.


O Escritor das multidões.

Jogado no mundo, e aquém da política, pelo menos era antifascista, meio que largado, sarcástico:

“Eu nunca tinha lido o Mein Kampf e nem tinha vontade de fazê-lo. Para mim, Hitler era apenas mais um ditador, com a diferença de que em vez de me dar sermões na hora do jantar provavelmente esmagaria meus miolos e arrancaria minhas bolas se eu fosse à guerra tentar detê-lo.”1

amargo ao mundo como está, este é Bukowski, vulgo Henry Chinaski.

O mundo é feito dos perdedores, segundo o autor de Misto Quente, precisamente, numa sociedade capitalista, os perdedores são escravizados pelos vencedores, e é preciso haver mais perdedores que vencedores”2. A obra de Bukowski pode ser vista hoje pelo público como as pinturas de Edward Hopper, sua infância segundo ele mesmo presenciou a crise de 29, o ambiente que Hooper inspirou-se.

Nighthawks. (1942).

Nighthawks. (1942).

Nascido na Alemanha, mas criado nos EUA desde pequenino, Bukowski guarda e transpõe o que o americano comum, sente e vive em sua American way of life. Já condenado por sua escrita respondeu muito bem aos seus inquisidores,a censura é a ferramenta daqueles que precisam esconder realidades de si próprios e dos outros.”3, confuso, quando em um de seus poemas condena o erudito: “cuidado com os sabe-tudo/cuidado com aqueles que estão sempre lendo livros”4, assemelhando-se ao pessimista Schopenhauer5. Nos deixou algumas coisas boas sobre a embriaguez: “Com a bebida, a vida era maravilhosa, um homem era perfeito, nada mais poderia feri-lo.”6

Suas obras também foram exploradas na Sétima Arte, em especial o longa de Marco Ferreri. Crônicas de um Amor Louco. (1981)7 . O filme retrata um pouco de sua vida, jogado pelas ruas de L.A., sem rumo, e mostra a sua maneira algumas de suas histórias, no centro delas, A Mulher Mais Linda da Cidade.8

No dia 16 de agosto nascia Bukowski, maior poeta americano vivo” segundo Sartre em época [diz a lenda], e Bukowski diz de Sartre e outros filósofos:

“Tenho lido os filósofos. São uns caras realmente estranhos, engraçados e loucos. Jogadores. Descartes veio e disse: é pura bobagem o que esses caras estão falando. Disse que a matemática era o modelo da verdade absoluta e óbvia. Mecanismo. Então, Hume veio com seu ataque à validade do conhecimento científico causal. E depois veio Kierkegaard: “Enfio meu dedo na existência – não tem cheiro de nada. Onde estou?”. E depois veio Sartre, que sustentava que a existência é absurda. Adoro esses caras. Embalam o mundo. Será que tinham dor de cabeça por pensar dessa forma? Será que uma torrente de escuridão rugia entre seus dentes? Quando você pega homens como esses e os compara aos homens que vejo caminhando nas ruas ou comendo em cafés ou aparecendo na tela da TV, a diferença é tão grande que alguma coisa se contorce dentro de mim, me chutando as tripas.”9


Notas:

1 Misto Quente. Bukowski. p.161.

2 Hollywood. Bukowski. p.61.

3 Carta: http://literatortura.com/2013/06/veja-a-carta-resposta-de-charles-bukowski-apos-ter-um-de-seus-livros-censurado/

4 http://artesemlei.blogspot.com.br/2009/11/o-genio-das-multidoes-charles-bukowski.html
5 A Arte de Escrever. A. Schopenhauer.
6 Misto Quente. Bukowski. p. 66.

7 Link do filme completo: https://www.youtube.com/watch?v=vXLXzOrguaY


8 https://cronicadeumamorlouco.wordpress.com/2010/02/05/a-mais-linda-mulher-da-cidade-charles-bukowski/

9 O Capitão Saiu para o Almoço e os Marinheiros Tomaram Conta do Navio. Charles Bukowski. p.7.

Reality Show.

boy hood
Em entrevista a revista ÉPOCA, Baudrillard responde a respeito de seu envolvimento indireto a trilogia Matrix
1:

ÉPOCASeu raciocínio lembra os dos personagens da trilogia Matrix. O senhor gostou do filme?


Baudrillard – É uma produção divertida, repleta de efeitos especiais, só que muito metafórica. Os irmãos Wachowski são bons no que fazem. Keanu Reeves também tem me citado em muitas ocasiões, só que eu não tenho certeza de que ele captou meu pensamento. O fato, porém, é que Matrix faz uma leitura ingênua da relação entre ilusão e realidade. Os diretores se basearam em meu livro Simulacros e Simulação, mas não o entenderam. Prefiro filmes como Truman Show e Cidade dos Sonhos, cujos realizadores perceberam que a diferença entre uma coisa e outra é menos evidente. Nos dois filmes, minhas ideias estão mais bem aplicadas. Os Wachowskis me chamaram para prestar uma assessoria filosófica para Matrix Reloaded e Matrix Revolutions, mas não aceitei o convite. Como poderia? Não tenho nada a ver com kung fu. Meu trabalho é discutir ideias em ambientes apropriados para essa atividade.2


Seria Boyhood o preferido de Jean Baudrillard se estivesse ainda vivo? Pois assemelha bastante com Truman Show, porém uma simulação contratual de 12 anos. Da Infância à Juventude, passando por momentos casuais em numa instituição familiar: brigas, separação, filhos crescendo, problemas da adolescência, coisas comuns, mas ali estão simuladas para todos. Semelhante a um Reality Show, mas com “tempo reduzido” e sem prêmios.

Apesar das longas 2 horas e 45 minutos de filme, não há muito o que falar de Boyhood, somente alguns pontos, por exemplo a alusão das músicas e o tempo, sucessos de cada época é sinalizado para o espectador, a “demanda alienada” é o gosto da época ou é somente uma crítica a indústria fonográfica, que fabrica hits para um determinado nicho, que ao passar dos tempos, é somente mais um lixo sonoro? Ao contrário de Mason Sr.[Ethan Hawke] que é músico no filme e tem uma visão alternativa, o mesmo faz um álbum com músicas dos Beatles e coloca o nome do álbum de The Black Albúm3 e dá de presente ao seu filho Manson, protagonista do filme.

Partindo sonhos em pedaços Olivia [Patricia Arquette] mãe de Samantha [Lorelei Linklater] e Manson com Manson Sr., típica mãe que sofre entre casamentos e divórcios, decepções familiares e um paradoxal sucesso em sua árdua carreira acadêmica, ela é a ideologia do filme, a meritocracia real, claro, não é a propaganda do filme, mas deixa a entender que: se esforce e será recompensado profissionalmente, e isso não te dará também sucesso pessoal. Em um momento do filme ela desabafa que esperava mais de sua vida, os sonhos, a carreira não são uma real felicidade, mas sim uma felicidade programada, que não equivale com a realidade.

O tempo no filme lembra muito a percepção de é sempre fugaz, o nunc stants Schopenhauriano, em que nós temos somente os sentidos do agora que flui e vira um passado inexistente e o futuro imaginado, um tempo agora para sempre, eternal now. [spoiler alert] Bem no fim do filme isso fica evidente: Manson acaba de ir para universidade encontra novos amigos e um deles tem o seguinte diálogo com o protagonista:

– Sabe quando dizem aproveite o momento?

Manson confirma positivamente. E a nova amiga continua…

– Não sei, mas acho que é o contrário. Como se o momento nos aproveitasse.

– Eu sei, é…

Manson cai na afirmação da bela garota e segue:

– É constante. Os momentos são…Parece que sempre é o agora, sabe?

A garota sorri positivamente e termina o diálogo.

– Sei.

O filme desfecha nesse patamar, passando a percepção que a história, o tempo, e tudo mais é somente o agora, um prato cheio para o famigerado hedonismo pós-moderno, e para Jean Baudrillard degustar e dizer: isso é uma hiper-realidade.

Fernando Pereira.



Notas:

Baudrillard0-tile1.Quem não lembra da referência ao Filósofo [pós moderno] assista Matrix (1999) na cena em que Neo (Keanu Reeves) pega seu arquivo [um pequeno disco, fruto de sua segunda vida, ilegal] que está dentro de um falso livro com o nome Simulacra & Simulation, sim esse livro de autoria do Jean Baudrillard (1929/2007), cena que termina com Neo indo a uma festa depois da dica em seu monitor: follow the rabbit, enfim todo mundo deve estar cansado de saber alusão do coelho nessa cena [Alice no país das maravilhas], e também o ar cyberpunk com uma pergunta Cartesiana com uma resposta típica de quem não está nem aí; tudo isso em cerca de 3 minutos.

Parte da cena:
http://migre.me/rolEv

2. Retirado de: http://revistaepoca.globo.com/Epoca/0,6993,EPT550009-1666,00.html

3. O álbum na integra e a história por detrás: http://www.oesquema.com.br/vitralizado/2014/07/21/o-black-album-dos-beatles-produzido-por-richard-linklater-e-ethan-hawke-para-boyhoodo-black-album-dos-beatles-produzido-por-ricard-linklater-em-boyhood/

The Knick. Uma série moderna.

Ambientada no início do séc. XX, com sintetizadores do séc. XXI, no crescente período industrial dos EUA, passado quase quatro décadas da carta Proclamação de Emancipação de Abraham Lincoln, porém como a série denuncia, tal carta estava longe de ser praticada na realidade, o racismo era forte, onde a todo instante o [afrodescendente] Doutor Algernon Edwards/Algie [Andre Holland] diz e sofre: “na Europa [onde morava] eu era tratado como igual.” Algie é altamente qualificado, mas, isso não faz diferença para o Hospital Knickerbocker [localizado em Nova York] e alguns de seus médicos, onde ora se omitem, ora falam abertamente que não consideram negros como humanos, essa seria sua casa como auxiliar cirurgião, negros ainda não tinham seus direitos de cidadão de Homem em frente aos outros. Lembrando a série está ambientada bem antes por exemplo de Martin Luther King Jr. onde foram dados mais passos para que o racismo nos EUA desaparecesse, e sim, infelizmente isso ainda não ocorreu em sua totalidade atualmente.

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Dr. John W. Thackery [Clive Owen] médico gênio que está a frente na ala cirúrgica após morte de seu mentor Dr. Christiansen [Matt Frewer]. Thackery ou Thack, racista, viciado em cocaína [lembrando cocaína era vendida comumente em farmácias], e dedicado a sua profissão médica, sim parece um pouco com Jekyll Hyde [O Médico e o Monstro], um homem de seu tempo, lembra um pouco também Dr. House [série que não assisti completa…].

Cliff Martinez [ex-Red Hot] compositor de longa data, muito conhecido leva a frente a trilha sonora da série, o trabalho mais citado seria Drive (2011), sim, lembra um pouco, a “aura” de A Real Hero, Nightcall e Under Your Spell estão lá, o som dos sintetizadores são viciantes, vale dar uma ouvida de novo em ambas trilhas.

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Uma época de um progresso científico, tecnológico e humano? Ainda não, o progresso era em cima de vidas, num tom marxista dos trabalhadores, onde crianças, mulheres, negros e outros sofriam exaustas horas de trabalho. Isso na série é apenas apontado, porém de forma “banal”, tanto que se nota nas tomadas, não existem tomadas panorâmicas, verba? Ou foco na história do Hospital Knick como uma breve janela do tempo. Não há filmes flash back´s para se inteirar na época das ruas de Nova York nem ao menos cenas[imagens geradas por computador] CGI [o que não necessita], como uma lanterna que se foca em um ponto quando se aproxima, talvez esse seria o mote do Diretor Steven Soderbergh, que fez parceria com Cliff Martinez [trilha sonora] em Traffic (2001).

Enfim uma série excelente por mim em todos os aspectos, até agora, primeira temporada, mostra a realidade em uma época conturbada e cheia de contradições gritantes. Onde é apresentado temas fortes e bastante discutidos até hoje, pois, ainda, não emancipamos diante de uma proclamação escrita, as relações materiais permanecem quase que as mesmas, o que foi escrito [lei] não se expôs na realidade, ou não a reproduziu.[o que deve ser o contrário].


Fernando Pereira.

O voto [in]útil.

VotoNulo

Conheci o PCB um pouco tempo, tive o primeiro contato a princípio pelo trabalho de Warlen Nunes, militante de longa data, que age tanto no campo teórico quanto na prática, o que é uma tarefa difícil, fui em um curso de formação, nesse dia tive uma aula teórica com Sofia Manzano e logo depois com Warlen, excelente aula com os dois sobre economia política. Mas o ponto é simples de compreensão que quero dizer, o PCB, mesmo com suas dificuldades financeiras, possui módulos de formação política, nessa tarefa, me lembro que Sofia viajou de São Paulo a Minas, e como trabalho voluntário deu sua aula.

Agora faça associação ou alusão ao atual governo, uma autocritica, nesses 12 anos de PT, o que reverberou foi o contrário, a despolitização da juventude brasileira, e não é por falta de recursos. Vimos as jornadas de 2013 a resposta sintomática dessa despolitização, uma indignação conjunta, às seguintes características retrógradas: caras pintadas, dizeres nacionalistas como “o gigante acordou”, e a indignação irracional com partidos, ou seja, um movimento apartidário, logo a principal maneira que a democracia tem de ser representada atualmente, etc. E a culpa disso será de quem, da esquerda ‘sectária’?

A dicotomia reinante também é uma das características da “atual” política, vemos isso quando um programa avançado como o do PCB, que os próprios setores de esquerda reconhecem dessa maneira. Porém no primeiro turno assim foi dito: “não votaremos no Mauro Iasi, pois poderá fortalecer a direita [PSDB]”, e logo em seguida já perguntavam: “e segundo turno, vai de Dilma?”. Em outras palavras somente existe dois partidos, nenhum outro [nem pensar]. Não deu outra a mesma fraseologia no segundo turno, o mesmo pedantismo. O que não é reconhecido ou avaliado é o seguinte: cada um dos partidos possui sua autonomia e autocritica. O PCB, PSTU, PCO declaram voto nulo, PSOL o não voto no PSDB, porém sem apoio ao PT. E qual perigo dessa decisão? Da culpa. Apontar o dedo para os partidos de esquerda e dizer que eles abandonaram o PT, em um momento relevante. Está lançada a pergunta, que com o pouco conhecimento que tenho, será mesmo que a culpa seria da esquerda? A despolitização da população no segundo paragrafo é um início da resposta.

Dado uma pergunta hipotética, e se o PSDB ganhar, o que será do futuro e dos ganhos sociais e dos trabalhadores? Olhe a conjuntura do Estado de São Paulo e tome isso como resposta. O PT e PSDB são partidos idênticos? Claramente que não, não são farinha do mesmo saco, porém nem um nem outro representam os trabalhadores. Um já era da ordem [PSDB] e outro se moldou a ordem infelizmente, um tem o neoliberalismo descarado na manga, ou outro tem o neoliberalismo implícito na manga. Não se pode negar os avanços mínimos que o PT conquistou, mas nem por isso posso por deixar a resignação tomar conta.

Uma lição importante que a história nos deixa, posso dar um exemplo, [sempre dou esse exemplo rsrs], é o cenário dos Hegelianos no império prussiano que Leandro Konder, nos apresenta didaticamente:

[…] “o que é racional é real, e o que é real é racional”.A frase — uma das mais famosas que Hegel escreveu — foi interpretada como uma apologia conservadora do existente. O Estado prussiano não era real? Era. Então, dever-se-ia concluir, logicamente, que ele era racional. A filosofia de Hegel, por conseguinte, legitimava a situação política mantida pelo governo do imperador Friedrich Wilhelm III, atribuindo-lhe a dignidade da razão. Mas o real, para Hegel, não se reduzia ao existente. A palavra que o filósofo utilizou, wirklich, vem de wirken, que significa atuar, efetuar. A Wirklichkeit é a efetividade, a realidade apreendida em sua dinâmica, em seu movimento profundo, que nunca se restringe ao meramente dado. A razão se expressa na atividade realizada, mas também na atividade que está se realizando e na que ainda vai se realizar. O sentido do real provém do movimento que passa a se realizar pela atuação dos homens. Theodor Wiesengrund Adorno, em Drei Studien zu Hegel, adverte: “O real só pode ser tido por racional na medida em que seja transparente à ideia da liberdade, isto é, à autodeterminação real da humanidade.” Os homens, buscando realizar sua liberdade, efetuam ações modificadoras sobre o real; e a realidade efetiva, racional, é aquela que existe incorporando as modificações reais efetuadas sobre ela, que são parte de sua constante autotransformação.

O Estado existente não coincide, automaticamente, com o Estado real-efetivo: ele só se aproxima da efetividade e só se torna a encarnação da razão na medida em que corresponde ao conceito de Estado. Num acréscimo ao parágrafo 270 da Filosofia do Direito, Hegel já se mostrava empenhado em enfrentar as objeções que lhe estavam sendo feitas, esclarecendo que sua proposta de “reconciliação” do pensamento com a realidade (que obrigava o pensamento a acatar a racionalidade do real) não implicava a capitulação da consciência diante de um dado objetivamente existente, qualquer que ele fosse. E dizia: “Um Estado ruim é um Estado que se limita a existir. Um corpo doente também existe, mas não possui mais uma verdadeira realidade. Uma mão cortada ainda parece ser uma mão real: ela continua existindo, porém não é mais efetiva.”
KONDER, Leandro. Hegel A Razão Quase Enlouquecida. Pág. 66.

Se “colocarmos” essa ideia Hegeliana na atualidade, podemos ver o seguinte: o Estado que aí está não é o seguramente o último Estado e nem propriamente o que atende às demandas que os trabalhadores necessitam. Seja qual for que ganhe nessas eleições, e por mais penosa que seja a conjuntura política que se apresenta ou representará, só por ela existir não quer dizer que os trabalhadores tenham que se render as circunstâncias da realidade. Lembrando que caso o PSDB ganhe o cargo da presidência com Aécio, acontecerá o coroamento reacionário do congresso, já que o mesmo segundo um artigo do Estadão em análise do (Diap): é o congresso mais reacionário desde 1964 – link: politica.estadao.com.br/noticias/eleicoes,congresso-eleito-e-o-mais-conservador-desde-1964-afirma-diap,1572528 . Para retroceder esse processo, penso que o PT deve politizar a classe trabalhadora e também a juventude, o que poderia ter feito caso não tivesse virado as costas para o mesmo, ou como Mauro Iasi em seu artigo disse, perante todos os protestos e demandas: “Silêncio total”- link: http://blogdaboitempo.com.br/2014/10/15/o-sexto-turno/ . Esperar o mesmo do PSDB já é fora de cogitação.

Por isso o voto nulo é “válido”. A indignação é válida, dado as circunstâncias que aqui, com erros e ou acertos eu tentei expor em minha humilde análise. O PCB com certeza continuará atuando com seus cursos e módulos de formação, diante de nenhuma ou alguma mudança na tentativa de politização das classes pelo PT.

Carta aos mortais.

Obra: Zdzisław Beksiński - 1929 - 2005.

Tu és finito.
sim, tu és finito.

quem me dera não ser finito
mas essa é minha condição.

tu vais lembrar desta frase no 45 do segundo tempo:
tu és finito.

quando ficar em prantos e assustado
e fechar os olhos pela última vez
lembrará.

essa condição é nossa.
nos dá raiva e pena dos deuses
eles bebem vinho e olham pro infinito. gozam. seduzem as musas, os homens e o éter.

tu és finito maldito mortal!
reconheça!
chore e peque.

os deuses dançam e sorriem
e gritam bem alto.
pequem malditos mortais!

tu és finito
tu és um hiato
tu és belo
tu és infinito.

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Fernando Pereira.